quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Escorrego escuro, a boca cheia da salíva da vontade,
que a boca é quase cruel quando é faminta.
Tem a fome do bicho que acabar de nascer.
Que tem medo de tudo, menos dessa fome.
Desajeitado e medroso, o coração, que se fosse cheio de abelhas estaria mais tranquilo que agora.

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Acho que hoje eu não durmo, mas não se preocupe, "pensando em você não é bem o termo".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

C avalos marinhos de outras eras cavalgando nos nossos rios.
É la mesmo onde continua a minha memória, onde os rios fazem a curva e desaguam no meu peito espetado.
De Cactus.
Lembrança da hora em que tremi estranho e úmido e era meia noite quando você disse

_ O tempo da infância ja passou, meu amor, agora começamos a envelhecer.

E com um beijo dourado na parte do meu corpo que é mais tua:
Erótico e aquático.


Decanso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


Enterrar as mãos nos teus cabelos de areia.
E assim me molhar no mais que há em mim.
Que desconheço.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Poema náufrago para um menino que tem gotas de ouro nas costas.


E se eu fosse mais velho e cuidadoso eu beijaria as gotas de ouro nas costas dele

e o levaria valioso ou valiosíssimo para compor a minha embarcação com o que há de mais querido.

E num sono de três noites lustrar o magro daquelas coxas na pornografia que sempre me faltou.


Mergulhar, ainda nas coxas

e boca

e águas

e nos cabelos que faziam cachos quando jovem.

A composição de azul e amarelo e se eu fosse como o outro mais sabido eu calculava sentido em vez de cor

ou língua que é prancha suicida.

E se eu o vasculho no futuro é de tanto eu naufragar que ja passamos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ma Vie ou Poema que não chegou a ser.


Não eu nunca nasci pra samba.
Eu tenho o coraçao fracoe aos domingos eu nao faço turnê, eu descanso.

Que nem aquele passarinho azul que ontem mesmo eu vi em ti.

No teu ombro supermagro, na tua blusa repetida que eu ja planejava adorar pra sempre.

Me desenhando com pinceis de outras épocas enquanto eu perdia a pose e sorria feliz.
Como as meninas que sambam com rosas nos cabelos.

Perdido nos abismos das cavas dos seus olhos que sao mais fundos naquele bar a meia noite.

Eu sou obediente e vou embora.
Eu sou valente.

E as meninas ficam a dançar.
E apodrecem as rosas nos cabelos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Olhos cor de Pipper.

Estava apaixonada, em 34 anos era a primeira vez que se sentia APAIXONADA.
Na primeira semana de namoro com Carlinhos ja o amava, sentia como se algo comparado a uma gilete ou qualquer outro filhete de metal passasse rápido em suas costas "zummmmm" todas as vezes que o via. Só podia ser paixão.
Chegava em casa as uma da tarde todos os dias, era professora primária, almoçava cozidos as pressas e passava as tardes a suspirar deitada na cama em meio a bonecas de pano e duas gatas velhas que considerava como filhas, Mirna e Mirca. Estava Feliz.

Carlinhos era um desses rapazes velhos que se encontra em todos os bairros de periferia, era conhecido por todos e sempre morou na mesma casa desde que nasceu, ainda era chamado de Carlinhos mesmo tendo quase quarenta anos, havia sido relativamente bonito em alguma época obscura da sua vida e sempre tivera o luxo de gostar de biscoitos recheados logo após o almoço. Depois um copo d'água gelado. Passava as tardes dormindo. Estava feliz.

Depois de um mês de namoro o velho rapaz passou a frequentar a casa de Daniele, para insatisfação da mãe, um senhora íntegra mas de coração nebuloso, sempre tivera por ai, fazendo bonecas de pano e desmanchando os namoros da filha, mas dessa vez seria diferente. Era o que pensava a professora.

Na segunda vez que ela o recebeu em casa, sentaram-se no sofá a frente da TV, não falavam muito quando a luz estava acesa, nem precisava, foi quando uma das gatas pulou enciumada como um tigre no colo de Carlinhos deixando sua calça cinza de tergal completamente cheia de pelos brancos que jamais sairiam. Ele enfureceu!

_Não, Carlinhos, tudo menos isso, não me peça uma coisa dessas!

Não havia jeito, ele bateu o portão atrás dele ordenando que Daniele desse cabo a vida do bichano.

Como sofreu a pobre professora ao tentar se livrar do animal que havia chamado de "filhinha" por quase dez anos. Na primeira tentativa, deixou o bicho numa rua afastada, não adiantou, em algumas horas lá estava Mirca lambendo a pata e encarando a dona como um gato egipsio. Ela chorou.

Tinha os cabelos precocemente brancos que escondia com uma tintura de segunda muito loiro, pensou que logo também os de baixo iriam ficam sem cor e seria mais difícil esconder dela mesmo. Fez cara de nojo pro espelho. Ele respondeu.
Engoliu o choro e afogou a gata na pia antes de retocar as suas raizes.


Continua...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009


E se houvesse uma noite que durasse muitos dias o meu bem me ensinaria a ter saúde.