quinta-feira, 23 de julho de 2009

Uma inconveniente.

Me ligou quando chegou. A viagem durou uma semana e do modo como estava nosso amor, pequeno e frágil como um bebê uma semana foi tempo suficiente para a saudade se transformar primeiro numa saudade maior. Depois em nada. Em conto, historia meio bêbada em mesa de bar "houve um menino, uma vez, ele era legal, gostava de cantoras canadeses"

Fez festa ao telefone logo que atendi, contou sobre luzes, drogas de qualidade, última moda da grande cidade. O imaginei ali, corte de cabelo diferente de "cá pra lá" na sala, ainda contente demais pelos resultados de suas buscas. Deu quase cáimbra no meu pescoço, quis desligar o telefone, ele era outro, não havia jeito, tentava reconhecer algo, não conseguia. Haveria de ter perdido o sotaque em tão pouco tampo? O Modo de falar ligeiro não me agradava. Me afligia!

Ele estava tão alegre me deixando novamente só no mundo. Sentia raiva percebe-lo assim, feliz. Outro. Disse que comprou um presente pra mim, Guimarães, Drummond, Tostoi... Enquanto eu pensava em raias de papel soltas no céu da minha infância de astronauta, nas assassinas de verdade do mar.
Não, suponho que entender esse meu pensamento não é o mais importante.

A mudança, sim, aquela que sem querer destrói inocênte e pensando bem sem culpa.
Não desliguei o telefone, deixei a ligação sozinha, sabotada pela pouca carga depois de horas de novidades cruéis. Eu o estava deixando, mas o que nem eu nem ele sabíamos é que ele ja tinha me deixado primeiro.

Muitos casamentos em 2009, eu me divirto com outros enquanto chove doidamente.

Beijos do escuro, com amor.

3 comentários:

  1. "Quem és? Perguntei ao desejo.
    Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada."

    ResponderExcluir
  2. A mudança é essencial. Destrói umas coisas e nos faz criar outras. Se eles mudam, nós mudamos também...

    ResponderExcluir